15 novembro 2011

Pormenores, que estragam a foto....

A condenação à forca e o casamento




O casamento para escapar à forca, ou a forca para evitar o casamento


Na Idade Média havia um costume, nalguns países, que consistia em perdoar a pena de morte a um condenado, se este fosse pedido em casamento por uma rapariga. O Código de Justiça Militar francês, em 1668, proibiu que esse costume abrangesse os desertores das tropas. O casamento poderia ser uma forma ardilosa de escapa à forca.
Enforca, enforca!...
Valério Bexiga, no livro «O Juiz e o fariseu» descreve um caso curioso. Terá acontecido algures em França no séc. XVIII. Um contrabandista, condenado à forca, já se encontrava no cadafalso, com o capuz na cabeça e a corda ao pescoço, quando, na assistência, uma mulher grita que queria casar com ele.
A execução é suspensa e a sortuda mulher aproxima-se. Tratava-se de uma mulher feia, coxa e com ar esquisito. Ao ver tal figura, o condenado enfia o capuz na própria cabeça, e grita aflitivamente para o carrasco: «enforca, enforca!...».
Justificação religiosa
Segundo a Igreja, o casamento é um sacramento de tal modo importante que se justifica aquele "perdão" da pena. Só Deus pode dissolver o casamento com a morte natural. O casamento conferia também especial estatuto e era exigido nalgumas profissões. Por exemplo nas Ordenações Afonsinas e Manuelinas dispunha que "casado deve ser o oficial de justiça".
Justificações profanas
Algumas pessoas, para justificar tal costume (perdão da forca se o condenado casasse), diziam que não se tratava de um autêntico perdão de pena, mas sim de uma "pena alternativa". 
O filósofo Séneca (séc. I), ao criticar as condenações à morte decretadas pelo imperador Nero, dizia: "condenados à morte estamos desde que nascemos, e assim, a condenação à morte não é uma verdadeira pena." Talvez por isso, um jurista  chamado Despeisses (séc. XVII) concluía que "o casamento é uma pena mais severa do que a morte".
Casamento e a filosofia
O filósofo Sócrates (séc. IV a.C., casado com Xantipa, que era mulher de mau feitio), dizia aos seus discípulos: "casai-vos, se vos calhar em sorte uma boa mulher, sereis felizes. Se vos couber uma má, sereis filósofos". No mesmo sentido, São Jerónimo (séc. IV) defendeu o celibato por ser o modo de melhor filosofar. E em 1073, o Papa Gregório VII impôs o celibato obrigatório porque "o matrimónio dos sacerdotes é herético e os distraia do serviço ao Senhor", e vários teólogos defendiam que "a sexualidade atrapalha a espiritualidade". Esta perspectiva negativa e "herética" do casamento, acaba por justificar este sacramento como "pena alternativa", embora não tenha sido esse o objectivo da Igreja.
A "forca" nos dias de hoje
Quando temos conhecimento que alguém se casou, é costume dizer-se, na actualidade, em linguagem calão, "enforcou-se". De certeza que este termo calão, ao equiparar o casamento à forca, tem origem naquele costume medieval.
João Luis Gonçalves, Procurador da República no TAFF

09 novembro 2011

Imposto não imposto pago continuamente


No início do séc. XIX, o imposto, para ser legítimo, teria de ter a concordância do próprio povo


"O bom pastor é aquele que tosquia as ovelhas, não o que lhes arranca a pele." 
Imperador Tibério

Origem do imposto O imposto surgiu na História, segundo Cícero (séc I a.C), como "pagamento de prestação periódica dos vencidos de guerra aos vencedores, depois de reduzidos à escravidão. O imposto era, assim, uma obrigação de escravo", escreve Valério Bexiga no seu livro "Cabra que pula a vinha…", 1999.

Inventores de impostos
O imperador Romano Caio Calígula, foi um dos maiores "inventores de impostos". Até criou imposto sobre "as portas" e, no ano 40 d.C., sobre os "lucros da prostituição". Consta que autorizou a prática desta actividade em instalações públicas. Desde que se paguem impostos, tudo é lícito. Cícero, nas célebres "Verrinas", equiparava os pesados impostos do governador Verres, da Sicília, às prestações exigidas aos povos escravizados, por serem tributos absurdos, que delapidaram os cidadãos daquela ilha. O imperador Tibério, que viveu na altura de Cristo, indignado com as constantes queixas das "extorsões fiscais" do governador do Egito, mandou-lhe recado dizendo: "o bom pastor é aquele que tosquia as ovelhas, não o que lhes arranca a pele."

Imitação dos portugueses
Valério Bexiga (in op.cit.) diz que "o sistema fiscal português, dá mostras de algum progresso na senda da inventividade de Caio Calígula". Por exemplo, D.Miguel, em 1832, também decidiu tributar as portas e janelas, tal como havia feito Calígula na antiga Roma. Em Portugal, nos nossos dias, também se tributa o "suborno", diz Valério Bexiga (in op. cit.). Mas, devido à dificuldade de inscrever esta despesa, o governo incluiu a rubrica "despesas não documentadas". Ou seja, tal como o imperador Calígula, a origem e destino do rendimento não interessa, desde pague imposto, tudo é lícito.

"Imposto não imposto"
O advento do liberalismo, início do séc. XIX, veio acentuar a ideia de que o imposto, para ser legítimo, teria de ter a concordância do próprio povo. Como é isto possível? A solução é simples: a aprovação dos impostos fica reservada ao povo, através dos seus representantes eleitos no parlamento. Esta "legalidade formal", na prática, é a que ainda vigora nos nossos dias. O problema é que a legalidade formal é parente afastada da realidade prática.
Conta-se que o intendente Pina Manique recebeu, por decreto real, a concessão dos "serviços de iluminação pública" em Lisboa, no final do séc. XVIII. No entanto, continuou a receber as taxas respectivas (100 réis exigidos a cada morador), mesmo depois de extinguir a prestação do serviço. Mais tarde, constava que as dispendiosas festas, na altura do primeiro parto da rainha Carlota, tinham sido promovidas pelo referido intendente.
Pagar taxas, sem o correspondente serviço prestado ao cidadão é, na verdade, o pior "imposto não imposto" inventado, que se tornou, infelizmente, habitual, desde, pelo menos, final do séc. XVIII.

Dizia Estobeu: "o uso do dinheiro, feito com inteligência, pode contribuir para a generosidade e para o bem do povo; sem inteligência, é um imposto pago continuamente".

João Luís Gonçalves, Procurador da República no Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé

09 agosto 2011

DAQUELAS QUE VALE A PENA LER!...




Um sujeito está na fila da caixa no supermercado...

De repente observa que uma louraça lhe faz sinais com a mão e lhe lança um sorriso daqueles de cair o queixo.

Ele deixa por momentos o carrinho das compras na fila, dirige-se à louraça e diz-lhe suavemente:
- 'Desculpe, será que não nos conhecemos?'

Ela responde, sempre com aquele sorriso:
- 'Pode ser que eu esteja enganada, mas penso que o senhor é o pai de uma das minhas crianças....

O tipo põe-se imediatamente a vasculhar na memória e pensa na única vez em que foi infiel à esposa, perguntando de imediato à louraça:
- 'Não me diga que você é aquela stripper do puteiro da Zuleika, que depois de um show de sexo total com quatro caras, eu acabei te
comendo sobre uma mesa de bilhar, diante de todos os presentes, totalmente bêbado, enquanto uma das suas amigas me flagelava o tempo todo com uns nabos molhados !?

- 'Bem, acho que o sr está equivocado... Eu sou a nova professora do seu filho!!!... 

18 julho 2011

Cabeleireira karateca prende ladrão e usa-o como escravo sexual


Um homem tenta assaltar um cabeleireiro e acaba por ser sequestrado pela dona do estabelecimento, que o transforma num escravo sexual. Este podia ser o enredo de um filme de Hollywood, mas não: o episódio é verídico e aconteceu na Rússia.
Viktor Jasinski, de 32 anos, entrou no salão de beleza com o intuito de roubar o dinheiro que estava na caixa registadora. A dona, Olga Zajac, trocou-lhe as voltas e imobilizou-o com facilidade, recorrendo às artes marciais: a mulher, de 28 anos, é cinturão negro de karaté.
Em vez de ligar para a Polícia, depois de imobilizar o intruso, a jovem russa decidiu dar-lhe uma lição: despiu-o, algemou-o a uma cama e obrigou-o, com recurso a comprimidos Viagra, a ser seu escravo sexual durante três dias. Depois de usar e abusar do ladrão, Olga soltou-o e disse-lhe para desaparecer.

Prisão para ambos


Viktor deslocou-se imediatamente ao hospital para tratar os hematomas no pénis e testículos, onde chamou a Polícia e apresentou queixa contra a violadora. Às autoridades, Olga deixou claro: "Quis apenas dar-lhe uma lição. Sim, tivemos sexo umas quantas vezes. Mas, no fim, ainda lhe dei dinheiro e ofereci-lhe um par de calças de ganga novas", lê-se na edição de hoje do jornal inglês "Daily Mirror ".
Resultado: o homem acabou por ser preso por tentativa de roubo e a mulher tambe  foi detida por tortura e sequestro.


Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/cabeleireira-karateca-prende-ladrao-e-usa-o-como-escravo-sexual=f661974#ixzz1SGsMDjYx

14 julho 2011

O copo de tinto e o Santo...

Chegou um tipo ao bar e gritou:

Eh aí? Dê-me um copo de tinto!
O empregado encheu o copo e avisou:
- Aqui toda a gente que bebe um copo deita pró chão um pouco e oferece ao santo!
O freguês fez um manguito com o braço.
- Aqui, oh! Pró santo eu faço um manguito!
No mesmo instante o braço dele endureceu de tal forma que não se mexia.
- O que aconteceu? - gritou o homem, desesperado.
- O senhor ofendeu o santo e foi castigado.
Mas como é a primeira vez que o senhor vem ao bar, vou resolver isso.
O empregado chamou todos os fregueses e pediu que rezassem.
O braço do sujeito foi voltando ao normal.

Um velhinho viu tudo e ficou impressionado.
Dirigiu-se ao empregado, pediu um copo e bebeu de uma só vez.
O empregado perguntou:
- E pró santo?
O velhinho baixou as calças e tirou o dito pra fora:
- Aqui pró santo...!
O pau endureceu na hora.
O velhinho sacou uma arma e gritou:

- Se alguém rezar aqui, *MORRE!!!!!!!!*

Não sei onde fica tal taberna... evitam de perguntar.

29 junho 2011

MODERNO SUPERMERCADO

A CADA SECÇÃO, SUA PECULIARIDADE...

A água é borrifada automaticamente, para manter os produtos frescos.

Você escuta o som distante de trovões e o cheiro de chuva fresca. 


Quando você passa na seção de laticínios, você escuta mugidos e
vivencia o aroma do leite sendo tirado das vacas.

No sector de carnes tem aquele agradável aroma de carne assada 

na grelha com cebola.
Na prateleira de ovos, você escuta o som de galinhas cacarejando, 

e o ar se enche do cheiro de bacon e ovos sendo fritos.

Na padaria, se pode sentir o aroma de pães e biscoitos sendo assados.





Nunca mais compro papel higiénico lá!

24 junho 2011

Nacionalidade de Adão e Eva


Depois de mais uma reunião da UE alguns Ministros, para "aliviar" a pressão, resolvem passar pelo Louvre e, alguns deles param meditativos perante uma excelente pintura de Adão e Eva no Paraíso.
Desabafa Angela Merkel:
- Olhem, que perfeição de corpos: ela esbelta e esguia, ele com este corpo atlético, os músculos perfilados... São necessariamente estereótipos alemães.·
Imediatamente Sarkozy reagiu:
- Não acredito. É evidente o erotismo que se desprende de ambas as figuras... ela tão feminina... ele tão masculino... Sabem que em breve chegará a tentação... Só poderiam ser franceses.·
Movendo negativamente a cabeça, o Gordon Brown arrisca:
- Of course not! Notem... a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da pose, a sobriedade do gesto. Só podem ser ingleses.·
Depois de alguns segundos mais de contemplação, Sócrates exclama:
- Não concordo. Reparem bem: não têm roupa, não têm sapatos, não têm casa, só têm uma simples maçã para comer... não protestam e ainda pensam que estão no Paraíso. Não tenham a menor dúvida, são portugueses!

25 maio 2011

Somente comparando.... Nada mais que isso.





-Se atravessares a fronteira da Coreia do Norte ilegalmente, és condenado a 12 anos de trabalhos forçados.

-Se atravessares a fronteira iraniana ilegalmente, és detido sem limite de prazo.


-Se atravessares a fronteira afegã ilegalmente, és alvejado.


-Se atravessares a fronteira da Arábia Saudita ilegalmente, serás preso.


-Se atravessares a fronteira chinesa ilegalmente, nunca mais ninguém ouvirá falar de ti.


-Se atravessares a fronteira venezuelana, serás considerado um espião e o teu destino está traçado.


-Se atravessares a fronteira cubana ilegalmente, serás atirado para dentro de um navio para os E.U.A.


Mas, SE entrares por alguma fronteira da União Europeia ilegalmente...
TERÁS OBRIGATORIAMENTE:
-Um abrigo ...
-Um trabalho ...

-Carta de Condução...
-Cartão Europeu de Saúde...
-Segurança Social ...
-Crédito Familiar ...

-Cartões de Crédito ...
-Renda de casa subsidiada ou empréstimo bancário para a sua compra ...

-Escolaridade gratuita ...
-Serviço Nacional de Saúde gratuito ...
-Um representante no Parlamento ...
-Podes votar, e mesmo concorrer a um cargo público ...
-Ou mesmo fundares o teu próprio partido político !

E por último, mas não menos importante:

-Podes manifestar-te nas ruas e até queimar a nossa bandeira!

E... SE EU TE QUISER IMPEDIR, SEREI CONSIDERADO RACISTA!
SEM DÚVIDA QUE PARECE IRREAL, MAS É A MAIS PURA DAS VERDADES
!


Será que o poeta algarvio António Aleixo, tinha razão quando dizia...


"Há tantos burros mandando
em homens de inteligência,
que às vezes fico pensando
,
se a burrice não será uma ciência
."

13 maio 2011

Para todos os que gostam do Alentejo



De autor que desconheço.
Para ler devagar, sem pressas como o Alentejano....

Ser Alentejano Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo, o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal e que, à semelhança do Homem Português, fugiu de Espanha à procura do mar. O Alentejo molda o carácter de um homem. A solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano. Portugal nasceu no Norte, mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade; Évora é o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve de refugiar em Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras, um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo, um homem consegue ver ao longe. Mas foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao reino, depois de dobrar o Cabo das Tormentas, sem conseguir chegar à Índia, para D. João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar com o peso de um empreendimento daquele vulto. Aquilo que, para o homem comum, fica muito longe, para um alentejano, fica já ali. Para um alentejano, não há longe, nem distância, porque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre. Foi, por esta razão, que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no mar... E, quando regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama respondeu: «Não, é já ali.». O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina. Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado. O problema de Portugal é precisamente este: muitos Bartolomeu Dias e poucos Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos. D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário, não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem que uma batalha não se decide pela quantidade mas pela qualidade dos combatentes. É certo que o rei de Castela contava com um poderoso exército composto por espanhóis e portugueses, mas o Mestre de Avis tinha a vantagem de contar com meia-dúzia de alentejanos. Não se estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o tentaram convencer a mudar de campo com o argumento da desproporção numérica: «Vocês são muitos? O que é que isso interessa se os alentejanos estão do nosso lado?» Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente dos mais simples prazeres da vida. Por isso, se diz que Deus fez a mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois, teve de fazer os alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama e na mesa, um alentejano nunca tem pressa. Daí a resposta de Eva a Adão quando este, intrigado, lhe perguntou o que é que o alentejano tinha que ele não tinha: «Tem tempo e tu tens pressa.» Quem anda sempre a correr, não chega a lado nenhum. E muito menos ao coração de uma mulher. Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm. Até porque os alentejanos e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia, precisamente o dia que Deus tirou para descansar. E até nas anedotas, os alentejanos revelam a sua superioridade humana e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos portugueses, os franceses dos argelinos... só os alentejanos contam e inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso, ao mesmo tempo que servem de espelho a quem as ouve. Mas, para que uma pessoa se ria de si própria, não basta ser ridícula, porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor. Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos topo de gama. Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem tem sentido de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser objecto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas, enquanto a alarvice diminui-as. E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas, incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelando um sentido de observação, um sentido crítico e um poder de síntese notáveis. Não resisto a contar a minha anedota preferida. Num dia em que chovia muito, o revisor do comboio entrou numa carruagem onde só havia um passageiro. Por sinal, um alentejano que estava todo molhado, em virtude de estar sentado num lugar junto a uma janela aberta. «Ó amigo, por que é que não fecha a janela?», perguntou-lhe o revisor. «Isso queria eu, mas a janela está estragada.», respondeu o alentejano. «Então por que é que não troca de lugar?» «Eu trocar, trocava... mas com quem?» Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o fim. O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é castigo uma pessoa ficar a pão e água. Água é aquilo por que qualquer alentejano anseia. E o pão... Mas há melhor iguaria do que o pão alentejano? O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo, refeição e sobremesa. E é o único pão do mundo que não tem pressa de ser comido. É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou no fim da semana. Só quem come o pão alentejano está habilitado para entender o mistério da fé. Comê-lo faz-nos subir ao Céu! É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quente de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de Inverno, dou graças a Deus por ser alentejano. Que maior bênção poderia um homem almejar?
"AMIGOS NÃO SE DESPEDEM,MARCAM UM NOVO ENCONTRO"

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